Lila

Eu sempre te procuro na leveza das manhãs,

No aroma do café, na brisa do mar,

Na imensidão da estrada da Biguá,

No cotidiano do meu caminhar.


Às vezes te encontro nos sonhos

Ahh, sinto forte o seu cheiro doce,

Ouço o som do seu riso tão peculiar e engraçado,

Observo de longe seu andar balançado.


Em frente a casa antiga da família, azulejada,

Me pego sorrindo, observando as janelas arqueadas.

Relembro os ditados simples e bem humorados que você falava

E que caiam como luva em tantas situações inusitadas.


Quando fico triste não hesito, te procuro.

Peço pelo seu abraço, sua mão,

Fecho os olhos e te sinto perto.

E ao te encontrar vai-se embora a escuridão.


Nos dias felizes te chamo pra brindar comigo.

Juntas comemorarmos, trocamos olhares, dançamos.

E num silencioso ritual que inventamos,

Da alegria, como chuva no verão, desfrutamos.


Num aperto, se preciso de conselho

Para seguir em uma ou outra direção,

Ou pra entender o que é bom, certo ou errado,

Você é certeira, sempre me mostra a solução.


Partilhamos segredos inimagináveis,

Muitas loucas confidências (quase todas impublicáveis),

Cochichos bombásticos e silenciosos,

Entre risos e choros indecifráveis.


Os nossos encontros mais felizes 

Acontecem nos dias claros, em meio às flores,

Especialmente entre rosas e hortênsias, suas preferidas,

Admirando o sol se pôr entre nuvens coloridas.


Ou ainda nos inúmeros pontos de luz

Que contemplo no olhar das manas e do irmão,

Na felicidade dos seus netos, no chorinho da bisneta,

Transbordando minha alma e meu coração.


Mãe, eu sempre te procuro...

Dentro de uma saudade infinita,

Nas encruzilhadas difíceis da vida,

Em diferentes momentos, à noite, com medo do escuro...


E te chamo, grito bem forte: Lila! Mãe!

E você mais que depressa me responde...

Bem do alto, lá das estrelas!






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